Você tem experimentado a vida de verdade?
Se a sua vida hoje fosse um restaurante, você estaria sentada diante de um menu à la carte, perdida na correria de um rodízio ou enchendo a bandeja em um buffet self-service?
Imagine que a vida é um restaurante.
À sua frente, o menu.
O que você tem escolhido?
Você tem repetido os pratos que já conhece, se mantendo de forma segura naquilo que sabe que “dá sempre certo” ou cada vez que folheia o menu escolhe justamente aquilo que nunca provou, se arrisca em novos sabores e ousa diferentes combinações?
A maioria de nós passa a primeira metade da vida no modo rodízio. Aquela correria onde garçons passam despejando demandas no nosso prato sem a gente sequer pedir: a carreira, a maternidade, as expectativas sociais, o casamento. Aliás, vez ou outra somos nós mesmas que viramos aquele papelzinho do “sim” sobre a mesa em busca de sempre mais. E assim, muitas vezes a gente vai aceitando tudo o que chega, mastigando sem sentir o gosto, só para dar conta do apetite do mundo. A mesa fica cheia, a gente sai empanturrada, mas profundamente desnutrida de si mesma.
Depois, com os anos, a gente tenta migrar para o buffet. Ali, pelo menos, parece que a gente tem escolha. Só que repara bem na dinâmica: o buffet é a personificação da lei do menor esforço, o reino do “tudo fácil” que domina os nossos dias.
É cômodo, a comida está pronta e exposta na nossa frente, sem surpresas. A gente pega o prato e, quase sem perceber, repete a mesma colherada de arroz com feijão de sempre. A gente escolhe o desconforto conhecido porque dá menos trabalho do que esperar um prato novo ser preparado na cozinha. Agimos pela economia de energia psíquica.
É aqui que muita gente emperra. O buffet é rápido, agrada todo mundo, é servido no volume e, no fim das contas, alimenta.
Só que de repente vem a maturidade… essa virada de chave que o tempo dá pra gente de bandeija. Chegar na metanóia é não se importar em esperar alguns minutos na porta enquanto a mesa é preparada lá dentro. Afinal, a gente já passou pela correria do rodízio lá na juventude e agora entende sobre Cronos e Kairos.
A maturidade convida a gente a escolher melhor o restaurante e exigir o menu à la carte. É o momento de olhar para o garçom e dizer: “Hoje eu vou escolher o que eu realmente quero comer, e estou disposta a pagar o preço e a esperar o tempo de preparo”.
Você sabe o que quer degustar na sua vida hoje?
Está disposta a pagar o preço por isso?
Já entendeu que tudo aquilo que é bom leva tempo?
E que tal "arriscar” um prato que jamais provou?
A própria origem da palavra risco vem do latim risicare, que significava navegar entre rochas escarpadas. Escolher um sabor novo no menu da vida aos 40, 50, 60, 70 anos dá a sensação de que a gente está jogando o barco contra as pedras. Dá medo trocar o prato seguro por uma combinação que a gente nunca testou.
O casamento que está morno, a solidão com a qual a gente já se acostumou, a carreira previsível, o salário bom no fim do mês, a amizade que já virou fardo, o conforto da casa dos pais…
E se eu pedir outra coisa pra vida e vier apimentado demais? E se eu não gostar?
A verdade é que mitigar todo o risco é uma ilusão que custa nossa própria vitalidade. Quando a gente tenta eliminar a chance de errar a escolha, eliminamos também a possibilidade de descobrir o que realmente alimenta a gente.
Carl Gustav Jung entendia perfeitamente esse medo do novo. Ele ensinou pra gente que o crescimento não acontece no conforto da repetição. Para Jung, a nossa jornada em busca de quem realmente somos exige que a gente olhe para o que está escondido, para os desejos que reprimimos.
Só que o inconsciente sempre dá um jeito de sabotar as nossas escolhas seguras: aquela azia existencial, aquela falta de apetite pela rotina, aquela exaustão crônica. O corpo e a alma gritam quando a gente tenta nos alimentar apenas de passado. E uma hora… a fome chega. E é aí que a terapia se torna o sommelier da vida.
Já na Astrologia, a cada aniversário temos uma nova oportunidade de fazer nossa mandala astral girar diferente. Imagine ter todo ano uma chance de experimentar de uma forma nova os sabores que foram impressos através dos planetas que ocupam as casas astrológicas em seu mapa natal. Leituras astrológicas ajudam a gente a entender justamente onde estamos repetindo pedidos enquanto os astros clamam por novos sabores.
Por último, o tarô. Se tem uma cartinha que eu amo virar quando faço minhas leituras é o desafio pelo qual minha consulente está passando. Ali fica bem claro como ela age quando entra em um restaurante e segue escolhendo o prato errado. Mudar o seu pedido no restaurante da vida não é um erro de percurso, mas sim o início do processo de se tornar inteira.
A terapia, uma consulta astrológica ou mesmo uma leitura de tarô funcionam como o chefe de cozinha que te acompanha nessa releitura do cardápio. Eu jamais vou escolher o prato por você, mas posso te ajudar a entender por que você passou tanto tempo pedindo o que te dava alergia só para agradar os outros convidados da mesa ou para “garantir a barriga cheia” enquanto a vida te implora para saboreá-la e lamber os dedos com ela.
Agora respira fundo, olha para o menu que está nas suas mãos hoje e se pergunta: o que a sua alma realmente está com fome de viver? Não tenha medo de mudar o pedido. O garçom está esperando pelo seu pedido, e a cozinha da vida tem sabores que você nem imagina.
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Aqui embaixo, você pode saber mais sobre quem eu sou e como meu trabalho pode te ajudar a ter mais consciência de quem você é para que possa curtir a segunda metade da sua vida com mais leveza. E assim, seguimos juntas nessa busca de transformar chumbo em ouro.
Beijos, Let.








Adorei essa metáfora!!! Obrigada por trazer esse olhar!!!